Eu amo seus defeitos, até os piores. Você tem algo que me prende a você e não me deixa amar outro alguém. Amo o jeito que você sorri, e o jeito de quando está emburrada. O jeito de como você fica brava, e quando você mostra teu lado boba feliz. Seu lado sensível me cativa. Sua carinha de “eu sou frágil” me chama a atenção, desperta meu lado “quero cuidar da sua fragilidade” e quando na verdade eu não quero só cuidar quando você está frágil, meus planos são cuidar de você, para sempre.
De vez em quando choro. É bom chorar. Eu não tenho vergonha, mas em todos os momentos existe a certeza de ter feito uma escolha acertada, de estar caminhando em direção à luz. Não nego nada do que fiz, também não tenho arrependimentos ou mágoas: eu não poderia ter agido de outra maneira — mesmo em relação a você — levando em conta o quanto eu estava confuso naquela época. Também já não tenho aquelas queixas infantis, na base do ‘tudo dá errado pra mim’, ou autopunições como ‘eu sou uma besta, faço tudo errado’. Nada é errado, quando o erro faz parte de uma procura ou de um processo de conhecimento. Gosto de olhar as pedras e os desenhos do vento na superfície da água, gosto de sentir as modificações da luz quando o sol está desaparecendo do outro lado do rio, gosto de sentir o dia se transformando em noite e em dia outra vez, gosto de olhar as crianças brincando no corredor de entrada e das palmeiras que existem no meio da minha rua — gosto de pensar que vou sempre ter olhos para gostar dessas coisas, e por mais sozinho ou triste que eu esteja vou ter sempre esse olhar sobre as coisas. Não sei muito, também não tenho muito, também não quero muito, mas estou aprendendo a respirar o ar das montanhas.
Minha vontade agora é te ligar, sem dizer que estou com saudade, sem te pedir para ficar, evitando qualquer constrangimento. Ligar e, sem pensar, dizer que amo. Que amo o seu silêncio quando ele fala por nós dois, que amo a sua risada quando ela nos rejuvenesce; que amo, e muito, o seu olhar quando ele invade minh’alma. Ligar e esquecer os meus e os seus defeitos, tornar-me o antigo menino que conheceu, e despejar minha aflição por ter que te ver de longe; e não poder tocar. Não poder sentir seus pêlos ouriçarem depois de um abraço forte ou ter que conviver com a distância. Ligar sem esperar que você retorne se a ligação cair, e não te deixar falar. Não te deixar pensar em outra coisa. Não te deixar disfarçar o riso, ou segurar o choro. Sem dar tempo para que pense, que planeje alguma forma de sair dali. Eu não daria pausas, nem perguntaria se está ouvindo. Sua respiração abafada responderia. Eu poderia sentir você do outro lado da linha, torcendo para que dessa vez desse certo. Para que eu não fraquejasse novamente. E eu resistiria, até o fim. Sem soluçar, sem esquecer, sem enrolar a língua. Falaria muito, durante um bom tempo. E você ouviria quieta, sem demonstrar nenhuma reação. E então, ficaria tranquilo. Sabendo que finalmente, palavra por palavra, entreguei-me por completo à você.
Só quero que você saiba que pode. Pode me ligar às 4h28 da madrugada ou às 7h12 da manhã pra me falar dos seus problemas, pode reclamar que a minha blusa tá curta demais ou grande demais, pode falar mal do meu cabelo que tá sempre rebelde, pode chorar no meu ombro mesmo que nem saiba por quê. Você pode, sempre. Pode bater na minha porta 3h da tarde só porque você sabe que a essa hora eu tô dormindo, pode interromper meu almoço, meu dever de casa, meu sorriso. Você pode ficar duas horas seguidas falando no meu ouvido o quanto eu sou chata e infantil e irritante e o quanto você não sabe por que não enjoou de mim ainda. Pode morder meu braço, beijar minha testa, bater na minha bunda. Pode fazer chantagem emocional comigo, ameaçar me largar só porque eu não quero fazer um capricho seu. Pode me deixar desesperada por causa disso, mesmo sabendo que você não vai me largar. Você pode me deixar uma ou duas noites sem dormir por medo de te perder, me fazer perder a cabeça por ciúmes, pode me fazer pensar duas vezes antes de brigar com você. Pode desligar o telefone sem dizer que me ama por birra, e depois que eu estiver chorando mandar uma mensagem bonitinha. Você pode me enlouquecer sem ao menos perceber e, ainda assim, eu vou continuar te amando cada dia mais.